O que a chuva te faz lembrar?

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A primeira gota cai em cima de você. Foi da árvore ou é impressão minha? Opa, aquelas nuvens pesadas não mentem, o temporal está armado. Um corre-corre danado, guarda-chuva a postos e, ai, bem hoje que eu tô de sandália… Não tem problema. A gente sabe que tá precisando chover.

Precisa para o volume encher, precisa para a planta crescer. A natureza clama e, ao mesmo tempo, notamos também que temos espécies de pequenas mudinhas dentro de nós. Quem é que sabe o que dali irá florescer? Não dá para adivinhar o que a chuva vai trazer, mas com certeza ela nos torna pessoas mais reflexivas. A sensação de imediatismo acaba – afinal, não tem muito mais pra fazer. A internet pode cair, os eletrônicos terão de ser desligados e, de repente, o mundo aparece quieto, calmo, calado. Só ouvindo o barulho da água caindo sem parar. Até parar.

Na cidade grande, a chuva pode virar uma confusão. Congestionamento, todo mundo molhado, os raios cruzando o céu… Você mal pisca e já vê o clarão. Sentiu o tremor do trovão? A criança fica com medo e, no fundo, você também partilha um pouquinho deste sentimento. Quando você tinha a idade dela, a chuva parecia um daqueles monstros que faziam barulho lá no porão. Até crescer e entender tudo, sua versão ainda mais inocente não conseguia ver a chuva com bons olhos. Quem foi que mentiu pra gente?

Nada sutil, a chuva também cai certeira nos momentos em que precisamos tomar um banho de realidade. Com a esperança de que a água leve tudo aquilo que poderia ir embora pelo ralo, molhar-se até deixa de parecer uma má ideia. Os dias ruins, os mal-entendidos, a dor do coração partido e a decepção, girando como ciranda, fazendo seu caminho até irem embora de vez.

Em casa, para dormir, parece ser a melhor coisa. Fina, mansa, embala os sonhos e deixa o sono ainda mais leve. A cama parece o melhor lugar do mundo a cada corrida que as gotinhas apostam no vidro da janela. O aconchego te faz recordar dos amores, da noite na lareira, daquela chuva de verão em que a água era um alívio em meio ao tempo quente. É tanta coisa que vem à mente! A nostalgia é difícil de ser deixada de lado.

Tantos significados, tão pessoal, tão intensa a chuva é! O bom tempo não chega a fazer falta pra quem sabe apreciar um cheirinho de terra molhada. Quem ama a chuva, faz-se chover. Quem ama a chuva, sabe esperar pelo momento em que o arco-íris riscará o céu

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